A nova geração e suicídio técnico

Salve, salve amigos do ESBDE

Estamos em um ano com grandes mudanças no Brasil. Temos agora uma presidenta, o país está crescendo como nunca antes, as profissões estão ficando cada vez mais definidas, as atividades comerciais estão mais fiscalizadas, as leis estão ficando cada vez mais duras, a classe C veio para consumir pra valer, a preocupação no ensino é maior tanto no governo quanto na sociedade, os professores serão mais exigidos e serão mais selecionados.

A próxima geração (a temida geração Z) vai entrar em breve no mercado, a primeira geração que viveu totalmente com a internet desde o seu nascimento, aprende sozinha, busca informação e usa bem as informações, aprende rápido, tem pressa e atropela quem estiver muito lento.

É como se uma nova raça viesse a este mundo. Que papel vai restar a nós, as gerações BB (meu caso), X e Y? Seremos extintos? Vão restar os trabalhos menos nobres? O futuro designer de balão da geração Z (e têm muitos deles começando hoje no mercado com apenas 16 e 17 anos) virá despido de paradigmas criados pelos designers atuais. Será mais livre para criar e avançar, e viverá sem regras que engessam a nossa atividade. Virão para ganhar dinheiro, e não para lustrar o próprio ego. Não aceitam bem a hierarquia e ouvem mais os mais capacitados, e não o status que a pessoa tem. O mercado no final ganha, mas o que será de nós, os atuais designers de balões? Dentro de 6 anos praticamente toda esta geração estará no mercado competindo conosco.

Já vou acalmando todos. As mudanças acontecem e a maioria vai se adaptar com a nova realidade. Ao invés de lutar contra a nova geração, melhor aprender como eles são e trabalhar naquilo onde somos mais fortes. Fazendo uma análise do perfil desta nova geração, eles não gostam de clientes lentos, de reuniões, de visitas técnicas, de planejamento longo. Por outro lado, eles gostam de criar rápido, de desenvolver conceitos novos, de criar novos mercados, de não respeitar os mais velhos que travam o mercado, de ir direto ao objetivo, de trabalhar com mais conforto. Assim podemos trabalhar juntos com a nova geração tornando o mercado mais ativo. Quem se propuser a aceitar esta nova realidade vai se dar muito bem, quem não mudar, provavelmente vai ter um pouco mais de dificuldade. Temos que lembrar que não é só o designer de balões será da nova geração, mas os nossos clientes também. Vão exigir muito de nós, vão querer orçamentos mais rápidos vindos pela NET, vão exigir projetos, idéias novas, ora mais baratas, ora mais sofisticadas. Vão ter pressa e não aceitam bem o respeito pela idade, vão respeitar a sua competência. Se você for competente, será bem aceito, se não...... Não aceitam a enrolação, tem que mostrar que é realmente bom.

Pensando nessa nova geração, e cuidando das demais, os cursos ESBDE vão se transformar em um meio facilitador para quem quer esta mudança. Prepara as gerações atuais para a nova realidade, dando conhecimento de avançar em novos mercados sempre que a atual estiver em declínio. Criar rede de contatos através de técnicas de marketing pessoal. Aprender a planejar em longo prazo para agregar a nova geração dentro das nossas atividades. Tudo embutido nas aulas de técnicas dos níveis 1 a 3, além dos cursos de esculturas e projetos.
Todo este processo será lento, pois também é difícil pra mim. Aprendo a cada dia como será esta nova realidade, estudando as tendências e lendo tudo a respeito destas mudanças, para repassar a vocês, meus amigos do portal e dos meus cursos. O que aconteceu lá é que o mercado cometeu o que eu chamaria um suicídio técnico.

Suicídio técnico

Nos Estados Unidos, a grande maioria dos decoradores está na faixa de idade entre 40 e 70 anos. Houve um suicídio técnico no início do ano de 2000. Dificilmente haverá uma renovação gradual. No Brasil, a grande maioria dos decoradores está na faixa dos 25 a 55 anos. Aqui não aconteceu o suicídio técnico, pois criamos a nossa própria estrutura do mercado a nossa maneira. Evidentemente que cada vez que as “novas técnicas“ estrangeiras vierem aqui, mais se aproximamos deste suicídio técnico. As técnicas que utilizam os conceitos de artesanato na decoração são o que chamo de suicídio técnico, Artesanato é um mercado, decoração é outra. Misturar as duas técnicas fará com que o mercado de balões entre me declínio. Peças de balões que poderiam ser classificadas de artesanato não são bem remuneradas no mercado de decoração, já que está fora de conceito. Elas vêm na forma de vestido de balão, flor de 260 cheios de detalhes, bonecos, escultura de personagem licenciado, ou seja, itens que seriam classificados com enfeites e não decorativos. Tomam grande tempo do decorador, não recebe o valor que merece na decoração, mas receberiam bem no mercado de artesanato. Decoração tem mais a ver com técnica funcional do que com arte. Quem quer comprar decoração deseja adquirir a sua capacidade de usar bem as suas funções e não de enfeitar. Há hoje uma grande comoção em conhecer as técnicas destes enfeites, criando assim um novo profissional no mercado, o do enfeitador de balões. Os clientes que consomem decoração com balões guardam verbas para funções e não para enfeites. Explico. No bairro da Liberdade em São Paulo é fácil encontrar um enfeite na forma de um gato que faz tchau (pura superstição japonesa) que traz sorte. Quantas pessoas no Brasil reservam dinheiro por ano para comprar este enfeite? O mesmo para outros enfeites como bonecos das princesas, pingüim de geladeira, barco de osso de baleia escrito lembrança de Fortaleza. Mesmo que compre uma destas peças, será apenas uma unidade. Por outro lado quantas pessoas reservam dinheiro para lembrança de casamento quando for casar? Quantas empresas reservam dinheiro para comprar centro de mesa se for realizar um jantar noturno de premiação?
Lembrança de casamento e centro de mesa são funções, quem adquire precisa destes itens, e normalmente compra mais de uma unidade. Enfeite não tem necessidade por isso sempre vai ser considerado caro. Já tentou vender um personagem de balão? Como não tem função, o seu cliente vai achar sempre caro, e provavelmente vai pagar menos que um arco de balão.
Coloquem no seu portfólio apenas funções, e evite colocar enfeites. Enfeites são lindos, mas são peças erradas para decoração.

Quem quiser ver mais sobre as novas gerações, veja estes vídeos no Youtube.

  

 

 

 

     
     
     

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